terça-feira, 3 de dezembro de 2019

LIÇÃO 10 – O PECADO DO HOMEM SEGUNDO O CORAÇÃO DE DEUS

LIÇÃO 10 – O PECADO DO HOMEM SEGUNDO O CORAÇÃO DE DEUS 4º TRIMESTRE DE 2019 (2 Sm 11.1-18)

INTRODUÇÃO

Um das coisas mais importantes da narrativa bíblica é sua imparcialidade ao contar a história dos personagens bíblicos, tanto destacando seus acertos e feitos heroicos quanto seus erros. Nesta lição, introduziremos o assunto definindo a palavra pecado; destacaremos alguns falhas cometidas por Davi, o homem segundo o coração de Deus; elencaremos quais os passos que deu e que o levaram a queda espiritual; pontuaremos as subsequentes atitudes erradas para tentar reparar o seu erro, e, por conseguinte quando confrontado pelo profeta quais as atitudes certas que tomou a fim de se reconciliar com Deus; e por fim, finalizaremos falando a respeito das atitudes de Saul e de Davi ante o seu pecado.

I  – DEFINIÇÃO DA PALAVRA PECADO

A palavra “pecado” segundo o dicionário significa: “desobediência a qualquer norma ou preceito” (HOUAISS, 2001,
p. 2160). Teologicamente pode ser definido como “transgressão deliberada e consciente das leis estabelecidas por Deus” (ANDRADE, 2006, p. 295). A palavra hebraica “hatah” e a grega “hamartia” originalmente significam: “errar o alvo, falhar no dever” (Rm 3.23). Existem outras várias designações bíblicas para o pecado e cada palavra apresenta a sua contribuição para formar a descrição completa desta ação. Em um sentido básico pecado é: “a falta de conformidade com a lei moral de Deus, quer em ato, disposição ou estado” (CHAVES, 2015, p. 128). Podemos afirmar ainda que: “O pecado é a transgressão da Lei de Deus” (1Jo 3.4). No grego o termo “hamartia” sugere a ideia de “fracassar”, “errar o alvo” ou “desviar-se do rumo”. Porém, o termo também sugere alguém que erra o alvo propositadamente; ou seja, que atinge outro alvo intencionalmente (CABRAL, 2008, p. 302).

II  – A BÍBLIA REGISTRA AS FALHAS DE DAVI

Embora a Bíblia destaque as muitas qualidades de Davi (1Sm 16.18), e acrescente dizendo que ele foi chamado o “homem segundo o coração de Deus” (1Sm 13.14; At 13.22); ela não oculta ou encobre as suas falhas, evidenciando assim sua imparcialidade e também um dos seus objetivos que é de ensinar as gerações futuras através dos erros cometidos pelos personagens bíblicos, até os mais célebres, a fim de que não caiamos na mesma situação (Rm 15.14; 1Co 10.11). Podemos notar algumas destas falhas cometida por Davi: (a) Tentou conduzir a arca com animais e não com os levitas (2Sm 6.1-10); (b) adulterou com a mulher de Urias (2Sm 11.1-5); (c) planejou a morte de Urias (2Sm 11.6-17); e, (d) numerou o povo (recenseamento) de maneira puramente orgulhosa (1Cr 21.1 ver ainda 2Sm 24.1).

III  – OS PASSOS QUE LEVARAM DAVI AO MAIS HORRENDO PECADO

Davi estava vivendo um dos melhores momentos de sua vida e de seu reinado tais como: (a) Tinha um exército respeitado (2Sm 8-10); (b) as fronteiras haviam sido ampliadas (2Sm 5.6-12); (c) tinha uma linda casa nova (2Sm 5.11); e (d) planejava para construir o templo do Senhor (2Sm 7). Porém, como acontece geralmente com todas as pessoas, a queda de Davi não foi repentina, mas gradual, pois algumas brechas começaram a se abrir em sua vida espiritual. Vejamos:
3.1  A ociosidade. A pessoa que estar ociosa é o mesmo que desocupada; inativa; preguiçosa; indolente; com ausência de disposição; falta de empenho; preguiça. Como o reinado estava consolidado, possivelmente Davi achou que não havia necessidade de ir à batalha com seu exército. Mas, o maior erro dele não foi ficar em Jerusalém. Além de ficar no palácio desocupadamente, o rei foi passear no terraço da casa real em plena guerra (2Sm 11.1,2). As maiores tentações que o crente enfrenta, não são aquelas que lhe sobrevêm quando ele está à frente da peleja, e sim, quando está vivendo ociososamente e isto o torna vulnerável. A Bíblia exorta a fugir da aparência do mal (1Ts 5.22), e vigiar para não cairmos em tentação (1Co 10.12,13).
3.2 A cobiça. A cobiça é o mesmo que ganância; cupidez; avidez; ambição; inveja e desejo desmedido por aquilo que é do outro. Enquanto passeava, Davi viu Bate-Seba que estava se banhando (2Sm 11.2). Ao vê-la, Davi a cobiçou, pois era uma mulher muito formosa (2Sm 11.2,3). O pecado da cobiça leva o homem à perder o domínio próprio e ficar sob o domínio da carne (Tg 1.14,15 ver Jó 31.1). Foi isto que aconteceu com Davi. Ele procurou saber quem era aquela mulher e lhe informaram que era a mulher de Urias, ou seja, era uma mulher casada, e não era lícito possuí-la. Mas ele não se conteve e mandou trazê-la. O décimo mandamento: “não cobiçarás” (Êx 20.17), vai contra a própria raiz do pecado, o coração pecaminoso e o desejo perverso. Cristo aborda a responsabilidade sobre o pecado do pensamento, pois toda ação humana começa no seu coração, inclusive comparou o desejo de pecar ao próprio ato em si (Mt 5.28; Mc 7.21-23).
3.3  O adultério. Mesmo sabendo que aquela mulher era casada, Davi a possuiu e adulterou com ela, sem pensar nas consequências do seu erro (2Sm 11.4). Davi ficou “cego” e transgrediu o mandamento de Deus ao tomar a mulher de outro homem (Êx 20.14,17). A palavra adultério vem do latim, adulterium, que tem o sentido de “dormir na cama alheia”. É a relação sexual entre pessoa casada, com outra que não é o seu cônjuge” (RENOVATO, 2013, p. 69). O sétimo mandamento: “Não adulterarás” (Êx 20.7), tem como objetivo a abstenção de toda impureza da carne e ainda exorta para conservação do leito sem mácula, isto é, o amor conjugal e a coabitação. Ele visa proteger o matrimônio por ser uma instituição sagrada instituída por Deus. Esta prática nociva se constitui num pecado contra Deus, contra si mesmo e contra o próximo (Gn 39.9; 1Co 6.18; Rm 13.9).

IV  – TENTATIVAS ERRADAS DE RESOLVER O PECADO

4.1 Ocultando o pecado. Ocultar é o mesmo que esconder; encobrir; disfaçar; dissimular. Assim que Davi pecou, procurou encobrir o seu erro. No entanto, sua atitude pecaminosa embora feita as ocultas foi vista pelo Senhor: “esta coisa que Davi fez pareceu mal aos olhos do SENHOR” (2Sm 11.27) e no devido tempo viria à luz: “Porque tu o fizeste em oculto, mas eu farei este negócio perante todo o Israel e perante” (2Sm 12.12). O pecado é mal, e ocultá-lo é mais mal ainda (Sl 32.1-5; Pv 28.13).
4.2 Enganando seu leal escudeiro. Enganar é iludir; induzir ao erro; lograr; calotear; engrolar. A primeira tentativa de Davi foi mandar buscar Urias. Após saber como estava a guerra e o exército, mandou que Urias fosse para sua casa e coabitasse com a sua mulher. Seu intento era que ele deitasse com Bate-Seba, para que ele não descobrisse que foi traído. Porém, Urias era tão leal ao rei e aos seus companheiros que não quis se dar ao luxo de estar em casa com sua esposa, enquanto os homens estavam à frente da peleja. Por isso, ele se deitou à porta da casa real com os servos do rei, e não foi para sua casa (2Sm 11.6-11). Dessa forma, o primeiro plano de Davi foi frustrado e ele partiu para o segundo plano cumprindo o que a Bíblia nos diz que um pecado gera outro (Sl 42.7). Quando soube que Urias não havia ido para sua casa, Davi o convidou para o palácio e juntos comeram e beberam; e Davi, propositalmente o embebedou, para que ele se esquecesse de suas responsabilidades militares, pelo menos por uma noite. A estratégia de Davi falhou mais uma vez, pois, mesmo embriagado, Urias não foi para sua casa, mas permaneceu na corte dormindo com os servos do rei (2Sm 11.12,13).
4.3 Planejando a morte do marido traído. Planejar é esboçar; projetar; desenhar; preconceber algo; traçar; arquitetar. Como Davi não conseguiu consumar seu intento, fazendo com que Urias fosse para casa para dormir com Bate-Seba, para encobrir o pecado de adultério, Davi tomou uma medida ainda mais drástica. Escreveu uma carta para Joabe chefe do seu exército pelas mãos do próprio Urias, para que Joabe colocasse Urias à frente da peleja, para que morresse (2Sm 11.14,15). Joabe, então cumpriu o mandado do rei, colocou Urias à frente da peleja e ele morreu. Este plano funcionou! Ao saber da morte de Urias, Davi trouxe Bate-Seba para o palácio e a tomou por mulher. A Palavra de Deus nos diz que:  “... esta coisa que Davi fez  pareceu mal aos olhos do Senhor” (2Sm 11.27).

V  – TOMANDO A DECISÃO CORRETA ANTE O PECADO

Deus enviou o profeta Natã para repreender a Davi. O profeta contou uma história que fez com que o rei reconhecesse o seu erro (2Sm 12.1,4). Ao ouvir a parábola, Davi lhe interrompeu dizendo: “Vive o Senhor, que digno de morte é o homem que fez isso” (2Sm 12.5). Nessa ocasião, o profeta lhe diz: “Tu és este homem” (2Sm 12.7). Aquelas palavras fizeram com que a ira de Davi se transformasse em pesar. Notemos suas reações:
5.1   Confissão (2Sm 12.13). Quando confrontado pelo profeta Natã por causa do seu pecado, Davi com sinceridade confessou: “Pequei contra o SENHOR” (2Sm 12.13). No salmo 51 encontramos a oração de Davi diante do Senhor confessando o seu pecado: “Contra ti, contra ti somente pequei [...]” (Sl 51.3).
5.2   Quebrantamento. Quando reconheceu o seu pecado, Davi se quebrantou diante do Senhor: “e jejuou Davi, e entrou, e passou a noite prostrado sobre a terra” (2Sm 12.16). No salmo 51 vemos ele quebrantado dizendo: “os sacrifícios para Deus são o espírito quebrantado; a um coração quebrantado e contrito não desprezarás, ó Deus” (Sl 51.17).
5.3   Arrependimento. Davi arrependeu-se amargamente da sua iniquidade e pediu a Deus que lavasse os seus pecados, e o purificasse (Sl 51.2), que lhe desse um coração puro e um espírito reto: “Cria em mim, ó Deus, um coração puro e renova em mim um espírito reto” (Sl 51.10).

VI  – DIFERENÇAS ENTRE SAUL E DAVI ANTE O PECADO

Alguém pode perguntar porque Deus não perdoou o pecado de Saul e perdoou o de Davi. A resposta para este questionamento encontra-se na forma como cada um dos personagens reagiu quando confrontado pela palavra de Deus. Notemos:

SAUL
DAVI
·         Pecou e tentou justificar o seu erro (1Sm 13.11,12).
·         Pecou e confessou o seu erro (Sl 51.1-4).
·         Tentou aplacar a ira de Deus com sacrifícios (1Sm 15.20-22).
·         Reconheceu que o quebrantamento e não os sacrifícios agradavam a Deus (Sl 51.16,17).
·         Entristeceu o Espírito Santo e não procurou se consertar, antes se apostatou (1Sm 16.23).
·         Entristeceu o Espírito Santo e buscou a renovação e pediu misericórdia (Sl 51.10,11).

CONCLUSÃO

A queda de Davi em pecado nos ensina que devemos ter cuidado com a nossa vida moral e espiritual a fim de não cairmos na mesma situação. Deus espera que não pequemos, mas se isto acontecer, devemos com sinceridade buscar o Seu perdão e a consequente restauração.

REFERÊNCIAS

ANDRADE, Claudionor Corrêa de. Dicionário Teológico. CPAD.

SWINDOLL, Charles, R. Davi, um homem segundo o coração de Deus. MC.

HOUAISS, Antônio. Dicionário da Língua Portuguesa. OBJETIVA.
STAMPS, Donald C. Bíblia de Estudo Pentecostal. CPAD.


http://portal.rbc1.com.br/licoes-biblicas/baixar-licao/cod/624

 Assista também ao resumo trazido pelo comentarista da Lição deste trimestre! 

Fontes: IEADPE
http://portal.rbc1.com.br/licoes-biblicas/index/
https://www.youtube.com/watch?v=43ahLF0GJo0

domingo, 1 de dezembro de 2019

ESBOÇO LIÇÃO 9 - ESCOLA DOMINICAL

LIÇÃO 09 – O REINADO DE DAVI – 4º TRIMESTRE DE 2019 (2 Sm 5.1-12)


INTRODUÇÃO

Nesta lição aprenderemos sobre o estabelecimento do reinado de Davi e os principais fatos que marcaram este reino; destacaremos algumas lições práticas que podemos aprender sobre o exercício da monarquia davídica; e, por fim, veremos as similaridades entre o reinado de Davi e o reino messiânico de Cristo.

I  – O ESTABELECIMENTO DO REINADO DE DAVI EM ISRAEL


1.1  A morte de Isbosete. Abner capitão do exército de Israel, havia constituído o quarto filho de Saul chamado Isbosete, como o substituto de seu pai no trono (2Sm 2.8-10). No entanto, essa coroação foi ilegítima, uma vez que o escolhido por Deus para ser rei era Davi (1Sm 16.1,13; 2Sm 3.9,10), e esta consagração não era da sua competência, visto que Abner era um capitão e não um profeta ou sacerdote (1Sm 10.1; 1Rs 1.39,45; 19.16; 2Rs 9.6; 11.12). Após a morte de Abner (2Sm 3.26,27), houve consternação e confusão ao povo de Israel e a Isbosete (2Sm 4.1). Neste ponto, dois dos capitães das tropas de Saul, chamados Baaná e Recabe, filhos de Rimom da tribo de Benjamim (2Sm 4.2), decidiram conspirar contra Isbosete. Os dois conspiradores foram ao meio-dia, para a casa do rei (2Sm 4.5,6). Ao encontrarem Isbosete reclinado em sua cama, mataram-no covardemente (2Sm 4.7).

1.2  Os anciãos de Israel procuram a Davi. Após a morte de Isbosete, todas as tribos de Israel vieram a Davi (2Sm 5.1,3). Eles lembraram que: (a) Davi já havia se revelado um líder militar sob as ordens de Saul: “[…] sendo Saul ainda rei sobre nós, eras tu o que saías e entravas com Israel […]” (2Sm 5.2-a; ver 1Sm 18.30); e, (b) estavam cientes da promessa que Deus havia feito a Davi: “[…] Tu apascentarás o meu povo de Israel e tu serás chefe sobre Israel” (2Sm 5.2-b). As qualificações para o rei de Israel encontravam-se escritas na lei de Moisés (Dt 17.14-20). O primeiro e mais importante requisito, era ser alguém escolhido pelo Senhor dentre o povo de Israel (Dt 17.15). Israel sabia que Samuel havia ungido Davi para ser rei cerca de vinte anos antes e que era da vontade de Deus que Davi subisse ao trono (1Sm 16.1,13; 2Sm 3.9,10). A nação precisava de um pastor, e Davi era exatamente a pessoa certa para este ofício (1Sm 16.11,19; 17.15,34,35; Sl 78.70-72).

1.3  Davi é ungido o rei de Israel. Abner estava morto, mas havia preparado o caminho para Davi ser proclamado rei das doze tribos (2Sm 3.17-21). Na sequência, os líderes de todas as tribos reuniram-se em Hebrom e coroaram Davi com o seu rei. À luz do contexto, destacamos que: (a) quando Davi era adolescente, havia recebido a unção de Samuel em particular (1Sm 16.13), (b) os anciãos da tribo de Judá o haviam ungido quando se tornou seu rei (2Sm 2.4), e, (c) nessa última reunião porém, os anciãos de todo Israel ungiram Davi e proclamaram-no seu rei (2Sm 5.3). Com a coroação de Davi sobre todo o Israel, o reino estava finalmente reunificado. A Bíblia diz que Davi reinou por quarenta anos, sendo que, sete anos e meio em Hebrom e trinta e três anos em Jerusalém (2Sm 5.4,5).

II  – FATOS QUE MARCARAM O REINADO DE DAVI EM ISRAEL


2.1   Jerusalém como capital do reino. Um dos marcos da liderança de Davi sobre Israel, foi a mudança da capital do reino, visto que, Abner e Isbosete haviam estabelecido em Maanaim (2Sm 2.8). A mudança para Jerusalém, foi um ato engenhoso de Davi: (a) por estratégia política, já que a cidade de Jerusalém, chamada de Jebus, era habitada pelos jebuseus (Jz 19.10; 2Sm 5.6; 1Cr 11.4,5) e localizada na fronteira entre Benjamim (a tribo de Saul) e Judá (a tribo de Davi), Jerusalém não havia pertencido a nenhuma das tribos, de modo que ninguém poderia acusar Davi de favoritismo na instituição de sua nova capital; e, (b) pela localização geográfica, construída sobre um monte rochoso, a cidade era uma fortaleza natural cercada de três lados por vales e montes, sendo assim, Jerusalém era símbolo de segurança (2Sm 5.7-9; Sl 48.2; 50.2) (WIERSBE, 2010, p. 309). Após a coquista de Jerusalém, esta se tornou conhecida como a cidade de Davi (2Sm 5.7,9), e ali o monarca estabeleceu sua moradia (2Sm 5.9,11).

2.2  A vitória contra os inimigos. A despeito da presença de Deus manifesta na vida de Davi e a confirmação divina de seu reinado (2Sm 5.10,12), isso não o isentou de enfrentar ataques por parte dos filisteus (2Sm 5.17-25). Aqueles que estiveram satisfeitos em ver a nação divida em dois reinos pequenos e hostis sob os governos de Isbosete e Davi, viram na união das doze tribos de Israel, uma séria ameaça. Ao ouvirem dizer que Davi havia sido ungido rei, os filisteus empreenderam uma batalha contra o monarca (2Sm 5.17,18). Apesar da resistência destes inimigos (2Sm 5.22), Davi foi vitorioso como cumprimento da promessa divina (2Sm 5.19,24,25). Vencendo aos inimigos de Israel que estavam à sua volta: os filisteus (2Sm 8.1; 21.15-22); os moabitas (2Sm 8.2); os arameus e sírios (2Sm 8.3-12); e, os edomitas (2Sm 8.13,14), sempre com a ajuda de Deus (2Sm 8.14).


2.3    A arca da aliança trazida a Jerusalém. Depois da reunificação do reino, Davi trouxe a Arca da Aliança para Jerusalém, trazendo a restauração do culto ao Senhor algo que havia sido negligenciado no reinado de Saul e Isbosete. Uma vez que sua perda ocorrera durante uma das primeiras batalhas contra os filisteus (1Sm 4.5), a determinação de Davi em recuperá- la, seguida de sua impressionante vitória contra os filisteus foi muito significativa. Essa transferência aconteceu em dois estágios: um malsucedido (2Sm 6.1-11) e outro que obteve êxito (2Sm 6.12-19). A Arca da Aliança para os israelitas simbolizava: (a) a presença visível de Deus (Êx 25.22); (b) um sinal da proteção de divina (Js 3.3; 4.10); e, (c) sua presença trazia júbilo e alegria para os israelitas (1Sm 4.4-6; 2Sm 6.15,21).

III  – LIÇÕES QUE APRENDEMOS COM O REINADO DE DAVI

3.1   A certeza que Deus cumpre com as sua promessas. Davi havia sido ungido para ser rei ainda muito jovem (1Sm 16.13), mas a sua coroação não aconteceu imediatamente, entre a promessa e o cumprimento há um tempo, uma trajetória a ser percorrida. Muitos desafios Davi enfrentou até tornar-se, de fato, rei sobre todo o Israel, porém, nada pôde impedir que ele reinasse sobre as doze tribos de Israel. Como disse o Senhor a Jeremias: “[…] eu velo sobre a minha palavra para cumpri-la” (Jr 1.12). Davi teve que aprender a esperar pacientemente o tempo de Deus em sua vida (1Sm 22.3; Sl 40.1), cofiando que Deus cumpriria a promessa que lhe havia feito, uma vez que o Senhor é fiel para cumprir com sua palavra (Dt 7.9; Nm 23.19; Sl 33.4; 146.5,6; Is 54.10; 2Tm 2.11-13). Sobre as promessas de Deus, a Bíblia afirma: (a) o Senhor é fiel para as cumprir (Hb 10.23); (b) Ele nunca as esquece (Sl 105.42; Lc 1.54,55); (c) não hão de falhar (Js 23.14; Is 40.8); e,
(d) se cumprem no devido tempo (Jr 33.14; At 7.7; Gl 4.4). Diante disso, aprendemos que o homem chamado por Deus deve ser paciente e aguardar o cumprimento das promessas (Hb 6.15).
3.2   A necessidade de depender da direção divina. Era muito comum antes de dar um passo importante, Davi buscar a vontade do Senhor (1Sm 23.2,4; 30.8; 2Sm 2.1), e contra os filisteus após assumir o reinado de Israel não foi diferente. Em se tratando de guerra, Davi não era presunçoso, por isso, consultou ao Senhor para saber se deveria e como atacar os inimigos (2Sm 5.19,23) e os derrotou utilizando exatamente as táticas fornecidas por Deus (2Sm 5.20-21,22-25). O rei Davi foi bem sucedido onde Saul havia fracassado, porque agiu em perfeita obediência ao planos do Senhor (2Sm 5.25). Desse modo, aprendemos que, aos que desejam ser bem sucedidos em todas as áreas de sua vida, precisam nos submeter a direção de Deus (Sl 16.7; 25.12; 37.23; 43.3; 48.14; Pv 2.6-8; 3.6; 16.1,9; 20.24; Is 58.11).
3.3    A humildade de atribuir a Deus as conquistas alcançadas. Desde muito cedo na vida de Davi, havia um reconhecimento público que ele era um instrumento para trazer vitórias nas guerras travadas pelo exército de Israel (1Sm 18.5,6,13-15; 2Sm 5.2). O seu reinado cresceu e se fortaleceu de maneira inimaginável (2Sm 5.10), ganhando popularidade até mesmo entre os estrangeiros (2Sm 5.11), de modo que seu nome se tornou notável entre os homens (1Sm 18.30; 2Sm 7.9; 8.13). No entanto, o rei Davi reconhecia que a razão de todas estas conquistas, se dava pela ação Deus em sua vida (1Sm 17.37,45-47; 18.14; 23.14; 2Sm 5.12,24; 8.14), o mérito era divino e não humano. Todos devem render ao Senhor a glória que lhe é devida (1Cr 16.28; Sl 115.1; Is 42.8; 1Co 10.31; Rm 11.36; 15.18; 2Co 3.5; Fp 4.20).

IV  – O REINADO DE DAVI UMA FIGURA DO REINO MESSIÂNICO

Uma vez que Davi na tipologia é uma figura do Messias, o seu reinado prefigura o reino messiânico de Cristo, que será estabelecido no milênio ao final da Grande Tribulação (Ap 20.1-4). Vejamos portanto em ambos os reinos, algumas similaridades:

REINO DAVÍDICO
REINO MESSIÂNICO
      Jerusalém, capital do reino de Israel (2Sm 5.7; 1Rs 2.10; 1Cr 13.13; 15.1).
      Jerusalém será a sede do governo mundial de Cristo (Is 2.3; 60.3; 66.2; Jr 3.17);
     Justiça como marca de sua administração (2Sm 8.15);
      A justiça caracterizará o governo do Messias (Is 62.1,2; 33.5; Is 32.1);
      Foi marcado pela paz em decorrência da ação divina (2Sm 7.1);
      Haverá paz como fruto do reino do Messias, o Príncipe da paz (Is 9.6; 2.4; 9.4-7; 11.6-9; 32.17,18; 33.5,6; 54.13; 55.12; 60.18; 65.25; 66.12; Ez 28.26; 34.25,28; Os 2.18; Mq 4.2,3; Zc 9.10);
      Desfrutou de alegria como resultado da presença simbólica de Deus entre o povo (2Sm 6.15,21).
      A alegria será marca característica da era milenar (Is 9.3,4; 12.3-6; 14.7,8; 25.8,9; 30.29; 42.1,10-12; 60.15; Jr 30.18,19; 31.13,14; Sf 3.14-17; Zc 8.18,19; 10.6,7).

CONCLUSÃO

A biografia de Davi e sua liderança a frente da nação de Israel, é uma comprovação da fidelidade e soberania de Deus na história humana, onde encontram-se atitudes que agradam ao Senhor, para que assim como Davi, sejamos crentes segundo o coração de Deus.

REFERÊNCIAS

·         CHAMPLIN, R. N. Enciclopédia de Bíblia, Teologia e Filosofia. vl 02. SP: HAGNOS, 2004
·         HOWARD, R.E, et al. Comentário Bíblico Beacon. CPAD.
·         STAMPS, Donald C. Bíblia de Estudo Pentecostal. RJ: CPAD, 1997.
·         WIERSBE Warren W. Comentario Bíblico Claro e Conciso AT – Históricos. SP: GEOGRÁFICA, 2010.
http://portal.rbc1.com.br/licoes-biblicas/baixar-licao/cod/623

Fonte: IEADPE

sábado, 1 de abril de 2017

Esboço da Lição 1 - A Formação do Caráter Cristão - 2º Trimestre de 2017 (VIDEO)

Esboço da Lição 1 - A Formação do Caráter Cristão - 2º Trimestre de 2017 (VIDEO)


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